quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre a "Época Amarniana" - VI

No quinto ano de reinado, Akhenaton abandonou Karnak. Num local do Médio Egito até então nunca usado para o culto, edificou uma nova capital, que designou por Akhet-Aton, "Horizonte do Sol", e que hoje se chama Tell el-Amarna. Na margem oriental do Nilo, erguia-se no centro da cidade o grande recinto dos templos do deus, chamado Per-Aton ("Casa de Aton"). Todos os templos edificados eram descobertos, traço característico dos templos solares egípcios. As duas partes do templo principal estavam a 350m de distância uma da outra, sobre um eixo comum e orientadas para oriente. O recinto posterior tinha dois pátios e constituia o santuário interior. O recinto anterior recebeu o mesmo nome do recinto de Aton em Karnak: Gem-pa-Aton.

A sul do Per-Aton foi construido um pequeno edificio de culto denominado Pa-hut-Aton ("Templo de Aton"). Embora a construção tenha sido concebida como templo para o culto de Aton, a orientação do seu eixo para o vale onde se encontra o túmulo de Akhenaton e o aspecto fortificado da muralha que o circunda, também presente em alguns templos funerários tebanos, sugerem uma função adicional como templo funerário dedicado ao rei.

Egipto o Mundo dos Faraós
Regine Schul; Matthias Seidel
Pág. 200 -Os Templos de Amarna - Adoração do Sol e Culto do Rei

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sobre a "Época Amarniana" - V

Amenófis IV, filho de Amenófis III e de Tiy, casou com Nefertiti, que era, muito provavelmente, filha de um funcionário do palácio proveniente de Akhmin. É provável que, sendo ainda principe herdeiro, tenha participado nas discussões relativas ao culto dinástico do rei e do seu deus-sol, assim como preparado com muita antecedência a substituição de Amon por Aton, o deus do palácio. O rei suprimiu o culto a Amon em Karnak, mas não a organização do templo, construindo a leste deste, em sua substituição o templo do deus Aton.

O rei, que exercia pessoalmente na sua capital a função de intermediário no culto, alterou seu nome para Akhenaton.

Apesar de tudo, verifica-se que o radicalismo das reformas conheceu um abrandamento a partir do 12º ano de reinado do monarca. Aproximadamente nessa época, Akhenaton teve de dedicar mais atenção a assuntos de política externa, porque os hititas continuavam a tentar expandir a sua esfera de influência através de Kadesh e de outros principados da Síria. A correspondência proveniente do arquivo do palácio de Tell el-Amarna, redigida em escrita cuneiforme, documenta os intensos esforços egípcios para interpretar corretamente a situação nas regiões vizinhas.

Egipto o Mundo dos Faraós
Regine Schul:Matthias Seidel
Pág. 149 - A Revolução Religiosa de Akhenaton

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre a "Época Amarniana" - IV

Em sua forma anterior a Akhenaton, a nova religião solar não era monoteísta. Uma outra omissão muito importante dos monumentos em Akhetaton era o mundo dos mortos. Akhenaton e os membros de sua corte construíram grandes tumbas nesse local e, ao fazê-lo, deram prosseguimento, ainda que de maneira superficial, a práticas e aspirações anteriores. Porém, nos túmulos não pertencentes à realeza, nota-se a ausência de cenas relativas ao além, e o túmulo real, que contém cenas de luto rememorando a morte de uma das filhas de Akhenaton, não inclui nada que possa apontar para um destino específico no outro mundo. O tipo de oferenda da religião tradicional, segundo a qual o rei dava presentes para que os mortos pudessem receber beneficios na outra vida, foi conservado, como convinha à ênfase que Akhenaton dava à sua posição central na nova religião. Como muito do discurso moral e da competição social tradicionalmente dependia da aceitação da vida após a morte, toda uma área de significados, crucial tanto para esta vida quanto para a próxima, deve ter parecido perdida.

Apesar do universalismo da nova religião, o fato de que ela ignorava o sofrimento dava-lhe um caráter estritamente elitista. Por ignorar as relações sociais mais amplas, bem como as perdas e as privações, essa religião também ignorava a moralidade.

Como rei, Akhenaton preservou as estruturas de poder e de relações internacionais de seu tempo. A essência de suas crenças solares tinha sido elaborada antes de seu reinado, de maneira que os seus ataques às práticas religiosas e a sua negação da cosmologia tradicional foram os aspectos mais revolucionários de seu governo.

Em vários momentos da história egípcia, os reis fizeram como Akhenaton, reservando a si mesmos práticas ou idéias que anteriormente tinham sido mais difundidas.

As evidências do final do Novo Império apresentam reações contra Akhenaton, mas também mostram uma reflexão contínua das questões morais e doutrinárias surgidas durante o seu reinado.


As Religiões no Egito Antigo - deuses, mitos e rituais domésticos.
Byron E. Shafer; John Baines; Leonard H. Lesko; David P. Silverman
Pág. 230

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sobre a "Época Amarniana" - III

Os egiptólogos freqüentemente supuseram que a fé, que eles (egípcios) consideram como contato direto com os deuses e experiências pessoais com eles, não era uma característica da religião do período posterior do Novo Império e sua origem freqüentemente tem sido atribuída às conseqüências das reformas promovidas por Akhenaton.

As Religiões no Egito Antigo - deuses, mitos e rituais domésticos.
Byron E. Shafer; John Baines; Leonard H. Lesko; David P. Silverman
Pág. 212